Estudos
realizados, têm posto em evidência que a Educação Física é uma área de relevo
na formação das crianças que frequentam o 1º CEB,
contribuindo para o seu desenvolvimento global.
Entenda-se o desenvolvimento
como um processo longo e complexo.
Um processo na medida em que nos remete nos remete para a ideia
que não é estático, mas que tem um certo dinamismo; longo porque começa no
momento da própria concepção e irá terminar aquando da morte do indivíduo; é
ainda complexo porque comporta diversas dimensões e todas elas estão em
permanente interacção.
Uma das características deste
processo é a mudança, nada está parado; quando há paragens no processo é porque
algo está mal, é pois necessário averiguar o que se está a passar. O
desenvolvimento é marcado pelo fenómeno da mudança.
Desenvolvimento é, assim, diferente
de crescimento. Falamos em desenvolvimento a nível psicológico e em crescimento
a nível físico. Há uma interacção entre estes dois domínios mas temos de os
encarar como dois processos diferentes.
Ao falar-se em factores de
desenvolvimento teremos de levar em linha de conta que há causas que levam ao
desenvolvimento e podem afectá-lo e há factores que o influenciam, que o
proporcionam ou o promovem e há outros que o influenciam negativamente
bloqueando-o e provocando atrasos.
Há fatores pertencentes ao meio e
outors intrínsecos do sujeito. Há no entanto uma grande dificuldade em delimitar o campo
de acção de cada um deles.
A teoria do desenvolvimento de Piaget, descreve a
interacção entre factores biológicos e sociais. Por sua vez Vigotsky (1991), entende que o
processo de desenvolvimento não coincide com o de aprendizagem. O processo de
aprendizagem é antecedido pelo de desenvolvimento.
Das vastas teorias existentes na
Psicologia Educacional, abordarei mais atentamente a perspectiva
construtivista, e as contribuições das teorias do desenvolvimento infantis
propostas por Piaget e Vygotsky.
Nesta perspectiva a Educação Física tenta
fazer face às necessidades de cada criança, enquanto indivíduo único e às
necessidades do eu colectivo enquanto sujeitos comuns a uma mesma história
social. Os objectivos, formulados a partir duma abordagem construtivista, vão
fomentar atividades, nos diversos blocos, que façam a mediação entre as duas
dimensões do desenvolvimento humano; a individualidade e a sociabilidade.
Devemos considerar o desenvolvimento psicomotor como um pré requisito de
todas as áreas de desenvolvimento da personalidade.
Ao falarmos em personalidade, estamos sem sombra para qualquer dúvida a
referenciar um conceito de grande complexidade bio-psico-socio-axiológica,
tendendo-se para uma perspectiva de teoria integradora, do desenvolvimento,
partindo-se da relação do sujeito com os outros e com o mundo.
Poderemos entender a personalidade como um conjunto de estruturas
internas do indivíduo que lhe permite uma organização a nível comportamental,
sem que para isso perca a sua individualidade, sendo a personalidade entendida
como o núcleo central do “eu”.
Gordon Allport (1969) terá definido personalidade como “ a organização
dinâmica, no indivíduo, dos sistemas psicofísicos que determinam o seu
comportamento e o seu pensamento característico.” (50)
Ainda segundo o mesmo autor, (1966) O homem trás consigo marcas e
potencialidades desde o seu nascimento e que dentro de certos limites poderão
ser influenciados por diversos factores. Esse conjunto de características
herdadas e adquiridas irão formar a personalidade do indivíduo que será própria
de cada ser, e determinante no rumo que sua vida irá tomar, suas decisões e até
mesmo a profissão que irá seguir.
Segundo
Singer (1986), a personalidade é a forma única do indivíduo se expressar e
reagir a determinado estímulo; é formada através dos anos a partir da estrutura
básica herdada geneticamente e através das experiências de vida, principalmente
as vividas na infância, pode revelar -se
de diferentes formas, trazendo à tona ou reprimindo tendências comportamentais.
Para Lawther (1978), personalidade é um termo usado para caracterizar o
indivíduo e forma-se à medida que a pessoa cresce e se relaciona com o meio e o
temperamento é o termo usado para indicar a natureza das reacções mentais e
emocionais.
Para Allport (1966), existem "materiais brutos" que
formam a personalidade, como a inteligência, o físico e o temperamento e são os
aspectos da personalidade que mais dependem da hereditariedade. O temperamento
segundo o autor refere-se aos fenómenos característicos da natureza emocional
do indivíduo, incluindo a susceptibilidade à estimulação, a intensidade e
rapidez usuais de resposta, a sua disposição bem como as peculiaridades de
flutuação e intensidade de disposição. O temperamento poderá ser alterado, até
certos limites, por influências médicas, cirúrgicas e de nutrição bem como no
decurso da aprendizagem e das experiências de vida.
Outra teoria
importante para o estudo da personalidade é a de Eysenck” uma organização mais ou
menos estável e duradoura do carácter, do temperamento, do intelecto e do
físico de uma pessoa, que determina a sua adaptação ao ambiente”. Esta teoria baseia-se
nos traços de personalidade, pelos quais se acredita capaz de predizer muitos
comportamentos individuais e sociais. Eysenck (1968) considera estes traços
como uma dimensão da personalidade, e identificou, três que seriam as dimensões
primárias da personalidade: extroversão (orientação para o mundo exterior,
introversão orientação para a reserva) e o neuroticismo ( reacções de ansiedade, de medo)
e o psicotismo (teimosia independência, agressividade). O autor considera que
estas dimensões são representativas da actividade nervosa. Estas dimensões
permitem essencialmente uma descrição do comportamento dos sujeitos.
A personalidade
integra não só comportamentos como atitudes mentais, assumindo particular
interesse a importância que o indivíduo tem de si próprio (auto-conceito) e a
ideia que os outros têm de si, se estas coincidirem o seu conflito interno é
menor.
Segundo Samlski
(1992) a importância da atividade física no desenvolvimento da personalidade é
reconhecida tanto pela psicologia do desporto como por professores e
treinadores. Pessoas com uma determinada personalidade interessam-se por uma
determinada forma de prática desportiva. Algumas características como a
socialização, a estabilidade emocional e a motivação desenvolvem-se com a
prática desportiva.
Segundo Esteves (s/data)
as actividades corporais integradas na área de expressão de Educação Físico
Motora podem dar um contributo importante no desenvolvimento da personalidade
das crianças. Este autor terá demonstrado como é possível desenvolver os
aspectos condicionantes da personalidade, tais como; auto-estima, a
socialização, a ansiedade, a motivação através de actividades propostas pelo
programa de Expressão e Educação Físico motora.
A
Expressão e Educação Física Motora tem um papel preponderante no desenvolvimento humano pelo que se pode
afirmar que esta é benéfica para todas as dimensões do mesmo.
A nível do desenvolvimento social; é através da interacção com os seus
pares, que o sujeito adquire competências sociais, tais como a cooperação, a
partilha, a linguagem e a resolução de conflitos.
Na dimensão emocional é através da redução da ansiedade,
da gestão do stress e do desenvolvimento do auto-controlo, que se adquirem
vivências de sentimentos e de comportamentos tais como a perseverança, a
responsabilidade e a auto-aceitação.
A nível físico; é através da libertação de energia acumulada, do
movimento, e da prática de habilidades motoras, que se pode processar um
aumento da atenção e concentração, e consequentemente, uma melhor aprendizagem.
A nível cognitivo é através da
manipulação e dos comportamentos exploratórios ocorridos durante o jogo, que as
crianças desenvolvem constructos intelectuais que utilizarão noutros contextos.
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