quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A Educação Física no desenvolvimento da personalidade da criança


Estudos realizados, têm posto em evidência que a Educação Física é uma área de relevo na formação das crianças que frequentam o 1º CEB, contribuindo para o seu desenvolvimento global.
 Entenda-se o desenvolvimento como um processo longo e complexo.
 Um processo na medida em que nos remete nos remete para a ideia que não é estático, mas que tem um certo dinamismo; longo porque começa no momento da própria concepção e irá terminar aquando da morte do indivíduo; é ainda complexo porque comporta diversas dimensões e todas elas estão em permanente interacção.

            Uma das características deste processo é a mudança, nada está parado; quando há paragens no processo é porque algo está mal, é pois necessário averiguar o que se está a passar. O desenvolvimento é marcado pelo fenómeno da mudança.

            Desenvolvimento é, assim, diferente de crescimento. Falamos em desenvolvimento a nível psicológico e em crescimento a nível físico. Há uma interacção entre estes dois domínios mas temos de os encarar como dois processos diferentes.

            Ao falar-se em factores de desenvolvimento teremos de levar em linha de conta que há causas que levam ao desenvolvimento e podem afectá-lo e há factores que o influenciam, que o proporcionam ou o promovem e há outros que o influenciam negativamente bloqueando-o e provocando atrasos.

            Há fatores pertencentes ao meio e outors intrínsecos do sujeito. Há no entanto uma grande dificuldade em delimitar o campo de acção de cada um deles.
 A teoria do desenvolvimento de Piaget, descreve a interacção entre factores biológicos e sociais. Por sua vez Vigotsky (1991), entende que o processo de desenvolvimento não coincide com o de aprendizagem. O processo de aprendizagem é antecedido pelo de desenvolvimento.

            Das vastas teorias existentes na Psicologia Educacional, abordarei mais atentamente a perspectiva construtivista, e as contribuições das teorias do desenvolvimento infantis propostas por Piaget e Vygotsky.
Nesta perspectiva a Educação Física tenta fazer face às necessidades de cada criança, enquanto indivíduo único e às necessidades do eu colectivo enquanto sujeitos comuns a uma mesma história social. Os objectivos, formulados a partir duma abordagem construtivista, vão fomentar atividades, nos diversos blocos, que façam a mediação entre as duas dimensões do desenvolvimento humano; a individualidade e a sociabilidade.

Devemos considerar o desenvolvimento psicomotor como um pré requisito de todas as áreas de desenvolvimento da personalidade.

Ao falarmos em personalidade, estamos sem sombra para qualquer dúvida a referenciar um conceito de grande complexidade bio-psico-socio-axiológica, tendendo-se para uma perspectiva de teoria integradora, do desenvolvimento, partindo-se da relação do sujeito com os outros e com o mundo.

Poderemos entender a personalidade como um conjunto de estruturas internas do indivíduo que lhe permite uma organização a nível comportamental, sem que para isso perca a sua individualidade, sendo a personalidade entendida como o núcleo central do “eu”.

Gordon Allport (1969) terá definido personalidade como “ a organização dinâmica, no indivíduo, dos sistemas psicofísicos que determinam o seu comportamento e o seu pensamento característico.” (50)

Ainda segundo o mesmo autor, (1966) O homem trás consigo marcas e potencialidades desde o seu nascimento e que dentro de certos limites poderão ser influenciados por diversos factores. Esse conjunto de características herdadas e adquiridas irão formar a personalidade do indivíduo que será própria de cada ser, e determinante no rumo que sua vida irá tomar, suas decisões e até mesmo a profissão que irá seguir.

            Segundo Singer (1986), a personalidade é a forma única do indivíduo se expressar e reagir a determinado estímulo; é formada através dos anos a partir da estrutura básica herdada geneticamente e através das experiências de vida, principalmente as vividas na infância, pode  revelar -se de diferentes formas, trazendo à tona ou reprimindo tendências comportamentais.

Para Lawther (1978), personalidade é um termo usado para caracterizar o indivíduo e forma-se à medida que a pessoa cresce e se relaciona com o meio e o temperamento é o termo usado para indicar a natureza das reacções mentais e emocionais.

 Para Allport (1966), existem "materiais brutos" que formam a personalidade, como a inteligência, o físico e o temperamento e são os aspectos da personalidade que mais dependem da hereditariedade. O temperamento segundo o autor refere-se aos fenómenos característicos da natureza emocional do indivíduo, incluindo a susceptibilidade à estimulação, a intensidade e rapidez usuais de resposta, a sua disposição bem como as peculiaridades de flutuação e intensidade de disposição. O temperamento poderá ser alterado, até certos limites, por influências médicas, cirúrgicas e de nutrição bem como no decurso da aprendizagem e das experiências de vida.

Outra teoria importante para o estudo da personalidade é a de Eysenck” uma organização mais ou menos estável e duradoura do carácter, do temperamento, do intelecto e do físico de uma pessoa, que determina a sua adaptação ao ambiente”. Esta teoria baseia-se nos traços de personalidade, pelos quais se acredita capaz de predizer muitos comportamentos individuais e sociais. Eysenck (1968) considera estes traços como uma dimensão da personalidade, e identificou, três que seriam as dimensões primárias da personalidade: extroversão (orientação para o mundo exterior, introversão orientação para a reserva) e o  neuroticismo ( reacções de ansiedade, de medo) e o psicotismo (teimosia independência, agressividade). O autor considera que estas dimensões são representativas da actividade nervosa. Estas dimensões permitem essencialmente uma descrição do comportamento dos sujeitos.

A personalidade integra não só comportamentos como atitudes mentais, assumindo particular interesse a importância que o indivíduo tem de si próprio (auto-conceito) e a ideia que os outros têm de si, se estas coincidirem o seu conflito interno é menor.

Segundo Samlski (1992) a importância da atividade física no desenvolvimento da personalidade é reconhecida tanto pela psicologia do desporto como por professores e treinadores. Pessoas com uma determinada personalidade interessam-se por uma determinada forma de prática desportiva. Algumas características como a socialização, a estabilidade emocional e a motivação desenvolvem-se com a prática desportiva.

Segundo Esteves (s/data) as actividades corporais integradas na área de expressão de Educação Físico Motora podem dar um contributo importante no desenvolvimento da personalidade das crianças. Este autor terá demonstrado como é possível desenvolver os aspectos condicionantes da personalidade, tais como; auto-estima, a socialização, a ansiedade, a motivação através de actividades propostas pelo programa de Expressão e Educação Físico motora.

A Expressão e Educação Física Motora tem um papel preponderante  no desenvolvimento humano pelo que se pode afirmar que esta é benéfica para todas as dimensões do mesmo. 

A nível do desenvolvimento social; é através da interacção com os seus pares, que o sujeito adquire competências sociais, tais como a cooperação, a partilha, a linguagem e a resolução de conflitos.

Na dimensão emocional é através da redução da ansiedade, da gestão do stress e do desenvolvimento do auto-controlo, que se adquirem vivências de sentimentos e de comportamentos tais como a perseverança, a responsabilidade e a auto-aceitação.

A nível físico; é através da libertação de energia acumulada, do movimento, e da prática de habilidades motoras, que se pode processar um aumento da atenção e concentração, e consequentemente, uma melhor aprendizagem.

A nível cognitivo  é através da manipulação e dos comportamentos exploratórios ocorridos durante o jogo, que as crianças desenvolvem constructos intelectuais que utilizarão noutros contextos.

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